sem título
Cresce o
número de estrangeiros trabalhando no Brasil
De São Paulo
Tramita do no Congresso Nacional
um projeto de lei, enviado pelo Ministério da Justiça, que visa
facilitar a vinda de estrangeiros que venham trabalhar no Brasil.
O novo estatuto pretende atrair mão-de-obra qualificada e
também investidores interessados em abrir um negócio no país.
Hoje, o cenário é permeado pela grande burocracia na concessão
de vistos de permanência. Um visto de trabalho, por exemplo,
pode demorar até seis meses para ser concedido. Em geral, as
próprias companhias cuidam do processo e da documentação
necessária, já que as certidões e os diplomas precisam ser
traduzidos para o português.
"A burocracia já foi maior
no passado", diz Elisabeth Libertuci, sócia do escritório
de advocacia paulista Libertuci Advogados Associados. Segundo
ela, na internet existem sites com formulários e contratos
padrão a serem apresentados. "São ferramentas que agilizam
o pedido de obtenção do visto, mas não resolvem o problema
totalmente", diz. "É necessário que projetos como o
que tramita no Congresso saiam do papel", defende. E não é
para menos. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego mostram
que, entre 1998 e 2005, o número de estrangeiros no Brasil
saltou de 13,8 mil para 24,1 mil, representando um crescimento de
75%.
Se a internacionalização das
empresas brasileiras têm levado muitos profissionais para o
exterior, o movimento inverso - de chegada de estrangeiros ao
mercado de trabalho nacional - também acontece de forma intensa
nos últimos anos. A maior parte deles é de origem
norte-americana (22,9 mil), seguida dos ingleses, alemães e
franceses. Outra informação relevante refere-se ao nível
profissional de quem desembarca por aqui. Enquanto em 1998, 646
dos estrangeiros tinham cargo de direção ou gerência, em 2005
esse número subiu para 939.
Para Betânia Tanure, professora
da Fundação Dom Cabral, além desse movimento há outra
questão a ser considerada. "A internacionalização exige
que não só brasileiros sejam transferidos para fora, mas
também é fundamental trazer gente de fora para cá",
afirma. "Se as empresas nacionais querem ser globais,
precisam ter pessoas de outros lugares para haver troca de
experiência."
A realidade, no entanto, mostra
um cenário pouco favorável. Na opinião de Betânia, a
burocracia da legislação brasileira atrasa a concessão de
vistos e impede que o conjugue do "impatriado"
(estrangeiro que vem trabalhar no Brasil) trabalhe no país, por
exemplo. Problemas que podem atrapalhar os planos de muitas
empresas ouvidas na pesquisa, já que 70% afirmaram ter planos de
aumentar o volume de "impatriações" nos próximos
cinco anos. (AG) v