COORDENADORA DE CENTRAIS SINDICAIS DO CONE SUL
A Coordenadora de Centrais Sindicais do
Cone Sul- CCSCS - é um organismo de coordenação e articulação das
centrais sindicais
dos países do Cone Sul criada em Buenos Aires, com o apoio da
ORIT
, em 1986.
Seus objetivos, quando foi fundada, eram
defender a democracia e os direitos humanos, lutar contra os regimes autoritários que
ainda subsistiam na região ( Chile e Paraguay) e articular uma ação conjunta contra a
Divida Externa e seus efeitos sobre as economias dos países do Cone Sul.
Inicialmente uma articulação política
eventual e pontual , aos poucos a Coordenadora, formada pelas centrais sindicais da
Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai, com o apoio ORIT/CIOSL
, foi desenvolvendo um programa de trabalho com temas de interesse comum.
No final de 1990, a Coordenadora aprovou
como uma de suas prioridades de trabalho, a atuação junto à integração econômica e
social do cone sul. Nessa data estavam em vigência apenas os acordos bilaterais
envolvendo Argentina, Brasil e Uruguai. Quando os governos assinaram o Tratado de
Assunção em março de 1991 a Coordenadora já estava acompanhando o processo de
integração e formulando propostas sobre o Mercosul.
As principais atividades da Coordenadora
no Mercosul
Em dezembro de l991, a Coordenadora
realizou um encontro em Foz de Iguaçu, onde aprovou um documento tornando público suas
primeiras considerações sobre o processo de integração e reivindicando a
constituição de um Subgrupo de Emprego e Relações Trabalhistas. O documento foi
entregue aos ministros do Trabalho dos quatro países, reunidos naquela cidade, que
aprovaram a proposta e em maio de 1992 o SGT de Relações Trabalhistas foi criado,
permanecendo em funcionamento até o presente momento.
Em dezembro de 1992, a Coordenadora
realizou um encontro em Montevideo, quando foi aprovado um documento afirmando a
importância da integração para o desenvolvimento da região, alertando para os impactos
econômicos e sociais do processo e denunciando a pouca importância que os principais
organismos de negociação dispensavam aos temas laborais. O documento, que foi entregue
aos Presidentes dos quatro países , reivindicava ainda a adoção de uma Carta de
Direitos Fundamentais para o Mercosul.
Em 1994 a Coordenadora aprovou novo
documento com uma série de propostas sobre questões trabalhistas, sociais, econômicas e
produtivas, assim como sobre a estrutura institucional do Mercosul. Nesse documento ela
defendeu a criação de um foro de representação da sociedade civil, que deveria
implementar e reforçar sua participação no processo de negociação e construção do
Mercosul. O documento foi entregue no dia 14 de dezembro aos Presidentes reunidos na
cidade de Ouro Preto, ocasião em que se assinou o Protocolo de Ouro Preto, que encerrou o
processo de transição da integração, definindo os passos e medidas para a
finalização da Zona de Livre Comércio e implantação da União Aduaneira, e criando o
Foro Consultivo Econômico Social do Mercosul - FCES.
O Foro Consultivo foi criado oficialmente
em junho de 1996 em Buenos Aires, com a participação ativa da Coordenadora . Entre as
suas várias contribuições importantes para elaboração do regimento de funcionamento
do Foro, destaca-se a inclusão do direito de iniciativa - ou seja o Foro emitiria sua
opinião ao Grupo Mercado Comum (o GMC, o órgão dirigente do Mercosul) não apenas
quando fosse consultado, mas também por sua própria iniciativa. Foi proposta sindical ,
também, a paridade de representação entre organizações de representação sindical e
empresarial na plenária e organismos de coordenação do Foro.
Em 1996, quando foram retomadas as
discussões no Subgrupo 10 a Coordenadora apresentou o projeto de um instrumento de
proteção aos direitos trabalhistas, o qual foi discutido de forma tripartite e aprovado
em 1998 sob a denominação de Declaração Sóciolaboral do Mercosul .
Em 1997 a Coordenadora propôs a criação
de um
Observatório
sobre Mercado de Trabalho, organismo técnico de gestão tripartite que foi
aprovado nesse mesmo ano e tem como principal objetivo o acompanhamento de indicadores
macroeconômicos e setoriais, constituindo-se num espaço de negociação de soluções e
medidas para problemas emergenciais de desemprego e/ou visando a geração de empregos. A
coordenação da Secretária Técnica Executiva do Observatório, depois de dois anos na
Argentina, está a cargo do Brasil desde novembro de 1999.
As mobilizações e a organização
setorial
Desde a sua formação a Coordenadora vem
impulsionando a mobilização dos trabalhadores da região . Em 1995 ela realizou, em
Montevideo, ato unitário para comemoração do Primeiro de Maio . Em 1996 apoiou e se fez
presente nas greves da Bolívia, Paraguay e Argentina . Em 1997 realizou um importante
Dia Internacional de Luta
pelos Direitos dos Trabalhadores do Mercosul, em dezembro, na cidade de
Fortaleza, no Brasil, onde se reuniam os Presidentes dos países do Mercosul . Em 1999 ,
realizou um ato de comemoração do Primeiro de Maio, na fronteira do Uruguay (Rivera) e
do Brasil (Santana do Livramento) , ato que contou com a participação de mais de 10 mil
pessoas .
Desde 1994, com a realização da Primeira
Plenária de Dirigentes Sindicais, em São Paulo(12 de dezembro), que já contou com mais
de 200 dirigentes sindicais, a Coordenadora vem dirigindo seus esforços para a formação
de Coordenações Sindicais Setoriais. Reunindo sindicatos de uma mesma categoria
profissional nos quatro países , já foram formadas as coordenações de metalúrgicos,
bancários, trabalhadores da borracha/pneus, telefônicos, tabaco, construção, bebidas,
comerciários, eletricidade, lácteos e vestuário.
Esse processo teve seu ápice em 1999, nos
dias 6 e 7 de dezembro, com a realização da Primeira
Cumbre Sindical do Mercosul,
em Montevideo , quando participaram mais de 400 dirigentes sindicais representando 16
diferentes setores profissionais , da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguay e
Uruguay . A reunião contou com o apoio do Centro de Solidariedade da AFL-CIO, da
Fundação
Friedrich Ebert, da OIT , da
ORIT
e dos Secretariados
Profissionais Internacionais.
Nos dias 27 e 28 de junho de 2000 a
Coordenadora realizou nova reunião em Buenos Aires para consolidação da organização
setorial dos trabalhadores da região . Essa reunião discutiu a situação dos
trabalhadores da região ,lançou um Plano de Lutas para as Comissões Sindicais Setoriais
e marcou o dia 31 de Agosto de 2000, como
Dia de Luta no Mercosul, por Emprego, Renda e Cidadania .
Nos dias 30 e 31 de agosto a Coordenadora
realizou uma reunião conjunta com as centrais sindicais do Mercosul suas filiadas e com
centrais agrupadas no Conselho Consultivo Laboral Andino (CCLA) e Conselho de
Trabalhadores do Cone Sul (CTCS) . A reunião que marcou o dia de luta no Mercosul
resultou numa "Declaração" encaminhada aos presidentes dos países da América
do Sul, que também faziam sua reunião na cidade .